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RTC é Modelo Para Cooperativismo Nacional

RTC é modelo para cooperativismo nacional

O modelo de integração proposto no Rio Grande do Sul pela Rede Técnica Cooperativa (RTC) servirá de inspiração para ações nacionais do setor cooperativista. A garantia é do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que participou da abertura da 1ª Jornada da RTC, no Wish Serrano, em Gramado (RS), na noite dessa quarta-feira (5/6). Ao lado de lideranças do movimento nacional e falando a uma plateia de cerca de 650 técnicos e dirigentes do setor cooperativista, ele acredita que esse movimento, que inicia no Estado, vai revolucionar o campo de pesquisa do corpo técnico das cooperativas. “A ideia é fantástica. E, como já é de praxe, o Rio Grande do Sul esparrama sementes boas para o resto do Brasil”, pontuou.

Segundo Freitas, o grande salto da agropecuária brasileira se deu graças ao trabalho individual de pesquisadores, técnicos, produtores e curiosos. “O agronegócio é o sustentáculo da economia brasileira. Mas dá para fazer mais”, salientou, reforçando a ideia da criação de uma rede única como o que está sendo proposto no RS. “Essa é uma rede de intercâmbio humano. O diferencial do cooperativismo não está na soja, no milho ou no leite. O nosso diferencial é lidar com gente”, citou, pontuando que o sistema de integração vai ao encontro da disruptura que vem sendo apregoada pelas novas gerações. “O cooperativismo é o caminho da chamada Sociedade Y, da quarta revolução, de um modelo diferente de relacionamento”.

Anfitrião do encontro, o diretor-presidente da CCGL, Caio Vianna, confia no sucesso da RTC principalmente pelo respaldo que vem das pessoas que apoiam o projeto. “Temos certeza que vai ter um antes e depois dessa iniciativa. Porque essa é a maior força transformadora do campo. O Rio Grande do Sul é próspero em formar pessoas, exportar tecnologia e seus desbravadores”, ressaltou, lembrando que o objetivo final de todo esse trabalho não é apenas elevar produtividade, mas obter maior rentabilidade. Os ganhos que vêm desse compartilhamento também foram enaltecidos pelo presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (FecoAgro/RS), Paulo Pires. “A rede vem levar ao produtor tecnologia para que ele possa ter mais renda. Juntas, as cooperativas podem e vão construir um mundo melhor para a razão de ser de nossos associados”, ressaltou.

O movimento de inovação das cooperativas foi referendado pelo secretário da Agricultura, Covatti Filho. Durante sua manifestação, reforçou a intenção em ser parceiro de novas iniciativas e prometeu apoio às ideias que fortaleçam a produção e a difusão de pesquisa. Covatti Filho ainda pontuou a necessidade que pesquisa e tecnologia sejam foco de políticas públicas, como o projeto que prevê de difusão de sinal de internet nas diferentes regiões do Rio Grande do Sul como uma forma de disseminar conhecimento. “Só tenho que agradecer porque ações como essa têm de ser louvadas, com a luta diária de cada um de vocês”, finalizou.

A 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa tem o apoio da CCGL, Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (FecoAgro) e Sistema Ocergs-Sescoop/RS e patrocínio dos terminais Termasa/Tergrasa.

Quem é a RTC

A Rede Técnica das Cooperativas (RTC) foi criada em 2018 congregando as áreas técnicas de pesquisa e mercado de 32 cooperativas agropecuárias gaúchas, cerca de 50% da safra gaúcha de grãos. Seu foco é criar um corpo de pesquisa integrado que dê suporte às cooperativas, otimizando custos e a aplicabilidade dos estudos desenvolvidos e permitindo a troca de ideias e compartilhamento de informações.

Agronegócio será alicerce da retomada do PIB

Com uma expectativa otimista para o desenvolvimento da economia brasileira que deve vir alicerçada pela força do agronegócio, o economista Luís Artur Nogueira ministrou a primeira palestra da 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa na noite desta quarta-feira (5/06) em Gramado (RS). Com muito humor em uma apresentação recheada de interatividade e atualidade, o também jornalista traçou projeções para o país. A previsão é que a economia sustente expansão no governo Bolsonaro a taxas de 2% e 3% ao ano, que o dólar fique entre R$ 3,50 e R$ 4,50 e que o IPCA transite entre 3% e 4%. Contudo, alerta ele, esses resultados só devem vir com a aprovação da uma Reforma da Previdência consistente. Além disso, sugeriu que o reaquecimento da economia brasileira depende de corte das taxas de juros, incentivo às cooperativas de crédito, atualização da tabela de Imposto de Renda, retomada das obras públicas paralisadas e adoção de um sistema de refinanciamento da dívida pública das empresas.

Nogueira manifestou confiança na agenda econômica trilhada pelo ministro Paulo Guedes e reforçou a relevância da iniciativa privada para o desenvolvimento. “O Brasil é maior do que qualquer governo. O setor privado se cansou de esperar por soluções milagrosas, olhou para dentro para ganhar eficiência e investiu em inovação. O setor privado está mais preparado para esse novo ciclo de crescimento econômico”, salientou, citando como exemplo o projeto da RTC apresentado nesta 1ª Jornada da RTC.

Para sustentar a expansão da produção mesmo frente à crise comercial internacional criada pela disputa entre Estados Unidos e China, ele acredita que a demanda global por produtos do agronegócio continuará crescendo. Além da exportação de commodities, o Brasil pode ganhar agregando valor a seus produtos. Quanto ao setor cooperativista, lembrou que, juntas, as diferentes cooperativas podem fortalecer seu poder de barganha em negociações.

Contudo, alertou o economista, há riscos que podem impactar o cenário, como as imprevisíveis interferências do governo Donald Trump na economia mundial, a intervenção do Poder Judiciário no cenário nacional e a própria crise política.  Entre os desafios à frente para as economias internacionais, pontuou o impacto da guerra comercial atual na própria economia chinesa, que enfrenta dificuldade para manter a taxa de crescimento de 6% ao ano. Também elencou como essenciais a busca do equilíbrio das contas públicas como forma de angariar investimentos e a retomada de consumo. “O agronegócio vai efetivamente brilhar, assim como o varejo”, sentenciou.

Crédito: Vitorya Paulo